vago pensar
no contra fluxo, incertezas e indiferenças desnorteiam com autoridade a liberdade
velar o corpo ou estancar a sangria?
ausente de controle
enquanto isso, o infinito de mistérios paira sobre nossas cabeças
crente da ausência do controle à autonomia
com astros tão belos quanto ocultos
dilacerante, criador, confuso. belo
permanente
sufocante
abusador de nossa condição finita
abusador de nossa condição finita
ao pensar sobre isso dois lados emergem
sugerindo as direções para onde seguir (e suas complicações): o tratamento ou a cura
velar o corpo ou estancar a sangria?
fome ou sede?
equilíbrio ou loucura?
não saber o que abraçar elimina toda chance de harmonia
tudo que sei é o que não quero
minha busca é vazia e sem sentido
cheia de falsos significados
implantados, não por mim, mas através de ideias e ideais que nunca me pertenceram
sequer são originais
um lado me garante a janta o outro as estrelas
pra quem ainda não decidiu o que fazer com sua emancipação
a tortura é contentar-se com a carne sobre a mesa
ou astros no céu
pois não existe nobreza e beleza
ou é real e insano
ou nada
pois não existe nobreza e beleza
ou é real e insano
ou nada
O certo: me mantenho estúpido animal
cheio de sentimentos estranhos e desconhecidos e transparente de silêncio
desesperado
despreparado
tolo fútil
afetado por uma dependência do ego
afetado por uma dependência do ego
mas ainda não vendi todos os sermões que me passaram
ainda não expus toda raiva que já senti
e preso em minha condição
ainda inalo as incertezas de vocês sem expurgar pra fora novamente
sou um cão vagabundo e tenho medo de vocês
e
ainda que isso possa ser chamado de quem sou
eu sou
e
ainda que isso possa ser chamado de quem sou
eu sou
mesmo que só pela metade
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