Sonora

oscilo minha frequência girando lento o controle rotativo
fugindo das ondas eletromagnéticas que emitem uma flutuante reverberação
ela ecoa até me alcançar
cumprimenta em minha orelha, um sopro constante

1000mhz...1100mhz....
consigo ouvir um ruído que se difere do resto em um momento abreviado
giro com ainda mais precisão, mais devagar

1200mhz......1300mhz.. pronto! Capto com justeza meu som
Finalmente!! Finalmente!!

disparo gritos de socorro
sinusoides se propagam percorrendo um espaço limitado,
estreito... sintetizado... lacônico
anônimo, permaneço mudo
mas reluto e brado palavras caladas sem ser atendido pelo público
enquanto me disperso desse plano, condenso-me internamente
um trovão que escorre para o leito sem deixar vestígios
me movimento estático
projetando golpes no cubo invisível o qual pertenço
fora, pessoas sem rosto cruzam meu caminho
desprovidos de me ouvir
ninguém para, mas apressam passos largos
obedecem uma voz emanada por megafones
instalados nos postes, pátios e nas paredes dos prédios junto às câmeras
condenados, o povo segue obediente as ordens berradas pela besta mecânica
condenados a me ignorar
Só existe o agora. Só existe esse rádio. Só existe esse locutor
e no imaginário perturbardo, deste que vos fala,
todo o resto.



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